O agronegócio brasileiro começou 2025 com resultados históricos nas exportações de cana-de-açúcar, algodão e grãos, consolidando ainda mais o país como potência no mercado global de alimentos, energia renovável e fibras.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), em janeiro de 2025 o setor alcançou US$ 11 bilhões em exportações, o segundo maior valor da série histórica para o mês. Já em março, até a terceira semana, as exportações totais do Brasil cresceram 16%, atingindo US$ 20,86 bilhões (balanca.economia.gov.br).
Principais destaques nas exportações agro em 2025
Cana-de-açúcar: etanol e açúcar em alta
De acordo com a consultoria Datagro, a safra 2025/26 no Centro-Sul está estimada em 612 milhões de toneladas de cana, resultando em:
- 42,35 milhões de toneladas de açúcar
- 12,76 bilhões de litros de etanol anidro
- 21,95 bilhões de litros de etanol hidratado
- 51% do mix voltado à produção de açúcar
A União Europeia se destaca como o principal destino do etanol brasileiro, impulsionada por políticas de descarbonização e transição energética. (Estadão Agro)
Algodão: Brasil lidera as exportações globais
Em 2024, o Brasil superou os Estados Unidos e se tornou o maior exportador de algodão do mundo. Para 2025, a expectativa é de:
- 3,9 milhões de toneladas produzidas
- 2,9 milhões de toneladas exportadas
- Turquia, Vietnã e Bangladesh entre os principais destinos
A qualidade da fibra brasileira, aliada à sustentabilidade da produção e rastreabilidade, fortalece a competitividade do setor. (Canal Rural)
Grãos: soja e milho batem novo recorde de produção
A Conab estima que a safra 2025 de grãos alcance 323,8 milhões de toneladas, crescimento de 10,6% sobre 2024. Destaques:
- Soja: 164,4 milhões de toneladas
- Milho: 124,8 milhões de toneladas
- Exportações impulsionadas pela China e mercados asiáticos
O desempenho é favorecido por condições climáticas positivas e valorização cambial. (gov.br)
Oportunidades para produtores rurais brasileiros
O cenário de alta nas exportações de cana, algodão e grãos abre espaço para que pequenos e médios produtores acessem o mercado internacional, desde que cumpram os requisitos exigidos por compradores globais.
Principais oportunidades em 2025:
- Aproveitamento de acordos comerciais com Ásia e Europa
- Incentivos a exportação pelo programa Agro.br da CNA
- Crescimento da demanda por biocombustíveis e fibras sustentáveis
- Alta do dólar, favorecendo a rentabilidade das exportações
Desafios enfrentados nas exportações agro em 2025
Apesar do desempenho recorde das exportações de cana, algodão e grãos, os produtores e empresas do agronegócio ainda convivem com obstáculos importantes que impactam a competitividade e a previsibilidade das operações no mercado internacional.
Falta de infraestrutura rodoviária e ferroviária eficiente
Um dos principais gargalos logísticos no Brasil é a dependência do transporte rodoviário, que responde por mais de 60% da movimentação de cargas agrícolas, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A malha rodoviária brasileira, especialmente em regiões produtoras do Centro-Oeste e Norte, sofre com manutenção precária, trechos não pavimentados e congestionamentos nos corredores de escoamento.
A falta de ferrovias operacionais e a subutilização da cabotagem agravam o problema, encarecendo o custo do frete e dificultando o acesso eficiente aos portos. Produtores em estados como Mato Grosso, Goiás e Tocantins enfrentam rotas longas e dispendiosas até os portos do Sudeste e Norte, como Santos e Itaqui.
Demora nos embarques e custos logísticos elevados
A alta demanda por exportações tem sobrecarregado portos estratégicos como Santos, Paranaguá e Itaqui. Com isso, é comum haver fila de caminhões, atrasos nos embarques e custos adicionais com demurrage (taxas cobradas por navios parados).
Segundo a ABIOVE, o tempo médio de espera para embarque de soja chegou a ultrapassar 10 dias em alguns terminais durante os picos de safra. Esse atraso afeta contratos internacionais, aumenta o custo da operação e pode comprometer a imagem do Brasil como fornecedor confiável.
Além disso, os preços do frete interno variam de forma abrupta durante o ano, especialmente nos meses de colheita e exportação intensiva, exigindo planejamento logístico sofisticado por parte dos produtores.
Exigências técnicas, sanitárias e ambientais dos países importadores
Os países compradores de commodities agrícolas estão cada vez mais rigorosos em suas exigências sanitárias, técnicas e ambientais. Para que os produtos brasileiros entrem nesses mercados, é necessário atender normas internacionais, que incluem:
- Rastreabilidade de toda a cadeia produtiva (do campo ao porto)
- Ausência de resíduos de defensivos acima dos limites permitidos
- Certificações de origem, sustentabilidade e boas práticas agrícolas
- Prova de conformidade ambiental (como desmatamento zero)
Exportadores que não conseguem atender a esses requisitos acabam perdendo mercado ou tendo seus embarques barrados, como já aconteceu em anos anteriores com o milho e a carne bovina brasileira.
Risco climático e volatilidade de preços
O setor agrícola é, por natureza, altamente exposto às variações climáticas. Eventos como El Niño, estiagens prolongadas ou excesso de chuvas afetam diretamente a produtividade das lavouras e a qualidade dos produtos exportados.
Além disso, os preços das commodities agrícolas (como soja, milho e açúcar) são cotados em dólar e dependem de fatores externos como:
- Guerra ou instabilidade geopolítica em países importadores
- Estoques globais e oferta de outros produtores (EUA, Argentina)
- Políticas cambiais e fiscais brasileiras
- Variação na taxa de câmbio (dólar x real)
Essa volatilidade de preços exige que o produtor esteja cada vez mais preparado para gerir riscos financeiros, por meio de contratos futuros, hedge cambial e seguro agrícola.
Como os produtores podem se preparar para exportar
A entrada no mercado internacional representa uma excelente oportunidade de crescimento e valorização para os produtores brasileiros de cana-de-açúcar, algodão e grãos. No entanto, exportar exige mais do que produtividade: é necessário planejamento estratégico, regularização, qualificação técnica e alinhamento com padrões internacionais.
A seguir, destacamos os principais passos para tornar sua produção apta a conquistar mercados no exterior:
✅ Documentação e regularização fundiária e ambiental
O primeiro passo para quem deseja exportar é estar 100% regularizado, tanto em relação à propriedade quanto à produção:
- Documentação da terra (CAR, CCIR, escritura ou contrato de posse reconhecido)
- Licenças ambientais (emissão ou renovação de outorgas, autorizações de uso do solo, APPs)
- Cadastro no Sistema de Vigilância Agropecuária (SISVIG) para produtos de origem vegetal
- Emissão de nota fiscal eletrônica com código NCM correto
A falta desses documentos pode impedir o produtor de firmar contratos com tradings, cooperativas e compradores internacionais.
✅ Certificações exigidas pelos países-alvo (Ex: BCI para algodão)
Muitos mercados exigem certificações internacionais que comprovem boas práticas agrícolas, sustentabilidade ambiental, respeito ao trabalho e qualidade do produto. Alguns exemplos:
- BCI (Better Cotton Initiative) para algodão: garante produção sustentável e rastreável
- RTRS (Round Table on Responsible Soy) para soja sustentável
- Renovabio para etanol com pegada de carbono certificada
- GlobalG.A.P. para boas práticas agrícolas com foco na segurança alimentar
Essas certificações são exigidas especialmente pela União Europeia, Reino Unido e mercados asiáticos, que valorizam critérios ambientais e sociais.
✅ Rastreabilidade e transparência nos processos
A rastreabilidade é obrigatória para exportações em diversos mercados internacionais. Isso significa que o comprador precisa saber a origem do produto, o trajeto logístico, o uso de insumos e a conformidade com as normas sanitárias.
Hoje, tecnologias como QR Codes, blockchain agrícola, ERPs rurais e cadernos de campo digitais ajudam o produtor a organizar e garantir essa transparência.
Os benefícios incluem:
- Acesso a mercados premium
- Melhor precificação
- Redução de risco em auditorias e barreiras comerciais
✅ Parcerias com cooperativas e tradings exportadoras
Entrar no comércio internacional sozinho é possível, mas muito mais difícil e arriscado. Por isso, a maioria dos produtores começa firmando parcerias com cooperativas agrícolas ou tradings exportadoras, que já possuem estrutura, experiência e canais de venda no exterior.
Vantagens das parcerias:
- Acesso a contratos internacionais
- Consultoria sobre legislação e certificações
- Apoio na logística, armazenagem e emissão de documentos
- Garantia de recebimento via contratos seguros
É importante escolher parceiros confiáveis, com histórico sólido de exportação e presença ativa em feiras internacionais.
✅ Participação em feiras e missões internacionais do setor
Participar de feiras agrícolas e missões comerciais internacionais é uma forma eficaz de conhecer o mercado, entender as demandas dos compradores e se posicionar como fornecedor global.
Exemplos de eventos relevantes:
- AgroBrasília Export
- Anuga (Alemanha)
- SIAL Paris (França)
- Feira Internacional de Bioenergia
- Missões internacionais promovidas pela ApexBrasil, CNA, Sebrae, FIESP
Durante esses eventos, é possível apresentar sua produção, fazer networking com compradores e entender as tendências globais do agro.
Resumo do checklist para exportar em 2025:
- Regularização fundiária e ambiental
- Emissão de documentos fiscais e cadastro em sistemas oficiais
- Certificações exigidas pelos países compradores
- Rastreabilidade da produção e cadeia logística
- Parcerias estratégicas com cooperativas e tradings
- Presença ativa em feiras e eventos internacionais
Exportar exige preparo, mas vale o esforço
Ao seguir esse checklist e buscar o apoio de parceiros técnicos, comerciais e institucionais, o produtor rural brasileiro aumenta suas chances de acesso ao mercado externo com segurança, competitividade e retorno financeiro.
Exportar é um passo estratégico para quem deseja crescer de forma sustentável e duradoura no agronegócio. E o momento, com os recordes de 2025, é dos mais favoráveis.
O agro brasileiro fortalece sua presença global
O desempenho das exportações de cana, algodão e grãos em 2025 confirma que o Brasil é peça-chave na segurança alimentar e energética do mundo. A combinação de clima, tecnologia e capacidade produtiva coloca o produtor brasileiro em posição privilegiada.
Com planejamento e inovação, os próximos anos podem ser ainda mais promissores para quem quer levar seu produto além das fronteiras.